Thursday, August 22, 2013

Slam Poetry nos subúrbios



Através de experiências em grandes cidades por todo o planeta, tenho vindo a aperceber-me ao longo do último ano do quão especiais são os subúrbios por oposição aos centros citadinos cada vez mais impregnados de snobismo, futilidade e vaidade. É nos lugares suburbanos que pessoas diferentes vivem de igual para igual ao contrário das outras, afinal tão iguais a querer desesperadamente ser diferentes.
Em Oakland, Brooklyn, como em Cacilhas: adaptação e vida - seres humanos em todo o seu esplendor, em luta contra as adversidades do meio. Na cidade de São Francisco, no SoHo em NYC ou no Príncipe Real de Lisboa - nada.

Descobri recentemente que uma das melhores formas de perscrutar o fervilhante coração destes sítios é arranjar lugar numa sessão de Slam Poetry que por lá aconteça. Ontem, algures entre Oakland e Berkeley, num Irish pub forrado a posters revolucionários, ouvi Queen Jasmine, uma portentosa negra com voz rouca de contralto, falar sobre o seu bisavô nazi, herói da 2ª Grande Guerra. Também ouvi John, um beatnick agora na 3ª idade, falar sobre a herança do pai, que acidentalmente descobriu num cacifo duma estação de combóio perdida. E Logan Phillips (foto), num lindíssimo poema bilingue, bradou a vivência de se ser latino no Arizona e vítima de discriminação racial. Muitos outros foram ao palco e, quase sempre de cor, alguns em estados próximos do transe, fizeram jorrar emoções, imagens e sentimentos poderosíssimos e belos.

É nos subúrbios que a humanidade resiste e de onde a poesia naturalmente brota.

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