Nos Estados Unidos apercebi-me de uma cultura geradora de meios que se colocam entre as pessoas e a realidade. Penso que esse princípio se pode reflectir numa variedade de fenómenos diferentes. Tentando explicar melhor:
Entre nós e o mundo tem de se pôr qualquer coisa. Uma primeira explicação para isso é a de que a fruição directa do real seria avassaladora. Usam-se instrumentos para a aproximação ao mundo, mas toda a cautela é pouca (o mundo é um lugar violento e cheio de coisas más).
Drones.
Outra hipótese é a de que talvez assim haja um universo maior onde lucrar. A Terra é um planeta demasiado pequeno e desinteressante para toda a ganância que há por aí. O capitalismo pede outras superfícies de troca comercial além deste solo e deste mar. Ou então as duas explicações coexistem.
2nd life.
O mundo torna-se na verdade um meta-mundo de meta-mundos (o mundo humano será sempre um meta-mundo uma vez que é impregnado pela cultura).
Facebook.
Inventam-se objectos para resolver problemas criados por objectos por sua vez criados para solucionar outras questões perfeitamente irrelevantes.
Atendedores automáticos que reconhecem a nossa fala.
Um utensílio para atirar a bola ao cão (e assim não nos termos de baixar nem tocar em toda aquela baba de animal).
Ao mediatizar a realidade, o próprio meio confunde-se com o verdadeiro. Assim, por exemplo, uma série de televisão pode tornar-se um substituto satisfatório de coisas que costumávamos ver anciladas no real.
Newsroom.
Sons of anarchy.
Risos enlatados.
Hollywood.
Será este o modo de suportar o trauma da guerra e da violência? Ou será o contrário? Que a tendência para colocar separadores constantes em relação ao mundo dá azo a irresistíveis gestos em direcção ao real, violentos de tanta sede existir?
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