Tuesday, July 2, 2013

Preâmbulo

Quando cheguei à Califórnia havia uma greve.
De quatro em quatro anos, os trabalhadores do metro de São Francisco renegoceiam o seu contracto. Ao contrário do que  costumava acontecer - um acordo após uma madrugada de negociações - desta vez não houve entendimento e o BART (Bay Area Rapid Transit) parou, o que não acontecia desde 1997.

Vim do aeroporto de autocarro.
Atravessei a península com a baía à direita e uma suave cordilheira à esquerda. Estes montes podiam ser a serra do Caldeirão. Já a baía escapa a qualquer outra simples comparação com Portugal. São Francisco fica na ponta norte de uma península que olha, imediatamente acima, para outro pedaço de terra. Entre os dois há uma passagem de água (cruzada por uma famosa ponte vermelha) e por aí se entra num espaço de mar rodeado por terra em todos os lados menos um. The Bay. É uma área imensa que serve várias cidades.
Uma geografia tão especial dá origem a uma meteorologia complicada. O pôr do Sol tem cores que nunca tinha visto antes. A temperatura varia de hora a hora e de milha a milha. Há nuvens a correr o céu num frenesim. O trânsito nebuloso pareceu-me mais atribulado do que aquele em terra. Mesmo com a greve do BART. Há nuvens que sobem as colinas, para depois ficarem lá uns minutos e descerem  rapidamente sobre o oceano, aos pés da ponte vermelha. Se em Paris reinava a luz e em Lisboa o estuário, em São Francisco reina o vapor de água. E o vento.

Entrei no centro da cidade com a noite.
A rua é uma amálgama de turistas, sem-abrigo, loucos e outra gente a precisar de comprar qualquer coisa.
Avancei sem hesitar até ao sítio onde era esperado.
Bem-vindos ao Hostel.